Drones & Regulamentação

Novas regras da ANAC para drones (RBAC 100): o que muda e como tirar a certificação

Entenda os temas de qualificação do piloto, cadastro do equipamento e enquadramento da operação.

Geomat — Blog
DronesANACRBAC 1002026·5 min de leitura

Fonte: Thiago

A regulamentação de drones no Brasil mudou de forma significativa em 2026. A ANAC aprovou o RBAC 100, em vigor desde 16 de junho, substituindo a lógica de classificação por peso por um modelo baseado em risco e complexidade da operação.

Para quem opera drone profissionalmente — em topografia, mapeamento, inspeção ou agricultura de precisão — isso significa uma mudança direta na forma de se qualificar: passou a existir uma avaliação teórica obrigatória para pilotos remotos, com prazo definido para regularização.

Ao mesmo tempo, tramita no Congresso um projeto de lei específico sobre interceptação e abate de drones, que ainda não virou norma, mas sinaliza como o tema de segurança do espaço aéreo deve evoluir. Separar o que já é regra do que ainda está em discussão evita decisão baseada em informação incompleta.

1

O que é o RBAC 100

O RBAC 100 é o Regulamento Brasileiro da Aviação Civil que passou a reger as operações de aeronaves não tripuladas no país, em vigor desde 16/06/2026. Ele substitui a antiga lógica de classificação por peso do equipamento por uma classificação por nível de risco e complexidade da operação, alinhando o Brasil a padrões usados internacionalmente.

A ANAC também criou a Superintendência de Aviação Geral (SAG), responsável por supervisionar aprovações e fiscalização das operações com aeronaves não tripuladas.

2

Como fica a exigência por nível de risco

  • Operações de baixo risco: exigências seguem próximas ao que já existia antes do RBAC 100.
  • Operações de risco intermediário: o piloto precisa de certificação obtida por avaliação teórica online, no Portal de Capacitação da ANAC.
  • Operações de alto risco: exigências se aproximam das aplicadas a pilotos de aeronaves tripuladas, incluindo certificação específica.

Certificações emitidas sob a norma anterior (RBAC-E 94) continuam válidas até que a ANAC determine o cancelamento.

3

A avaliação teórica obrigatória para pilotos remotos

Todo piloto remoto de drone com mais de 250 g precisa ser aprovado na avaliação teórica da ANAC para operações que não sejam de baixo risco. A prova tem 20 questões sobre o RBAC 100, uso do espaço aéreo, gestão de risco e procedimentos de operação segura.

  • A avaliação é gratuita e feita totalmente online.
  • O registro de aprovação fica na conta do piloto no Portal de Capacitação da ANAC.
  • Operadores têm até 2 anos para se adaptar e obter autorização operacional.
  • A obrigatoriedade da aprovação na avaliação entra em vigor em 1º de janeiro de 2027, após período de transição.

Onde fazer a avaliação:

4

O que não muda: cadastro do equipamento no SISANT

A avaliação teórica do piloto é diferente do cadastro do drone. O SISANT (Sistema de Aeronaves Não Tripuladas) continua sendo o cadastro obrigatório do equipamento, feito em sistemas.anac.gov.br/sisant, vinculando o drone ao CPF ou CNPJ do proprietário.

Ou seja: cadastrar o drone no SISANT e aprovar a avaliação teórica são duas exigências distintas, e ambas podem ser necessárias dependendo da categoria de risco da operação.

5

O que ainda está em discussão: interceptação e abate de drones

Tramita no Congresso o Projeto de Lei 5.646/2025, que propõe alterar o Código Brasileiro de Aeronáutica para autorizar interceptação, neutralização e abate de drones em situações de ameaça, seguindo princípios de necessidade, legalidade e proporcionalidade. O texto foi aprovado na Comissão de Infraestrutura em abril de 2026 e segue para análise na Comissão de Segurança Pública.

O projeto ainda não é lei. Para quem opera drone de forma regular e dentro das normas da ANAC, o texto não estabelece hoje restrição adicional direta — mas é um tema para acompanhar, porque trata diretamente da relação entre operação civil e segurança do espaço aéreo.

6

O que isso significa na prática para quem opera drone profissionalmente

  • Confirme se a operação se enquadra em baixo, médio ou alto risco segundo o RBAC 100.
  • Se a operação não for de baixo risco, planeje a aprovação na avaliação teórica antes do prazo de 1º de janeiro de 2027.
  • Mantenha o cadastro do equipamento atualizado no SISANT, independente da avaliação do piloto.
  • Acompanhe a tramitação do PL 5.646/2025 se a operação envolver áreas sensíveis ou restritas.
7

Conclusão

O RBAC 100 muda a forma como a operação de drone é regulada no Brasil — de classificação por peso para classificação por risco — e cria uma exigência concreta de qualificação para o piloto remoto. A transição tem prazo definido, e quem se antecipa evita ficar irregular quando a fiscalização começar, em janeiro de 2027.

Quer entender como o RBAC 100 impacta a operação de drone do seu projeto? Fale com um especialista da Geomat e avalie o enquadramento certo para o seu equipamento.

Escreva um comentário

Por favor, note que os comentários precisam ser aprovados antes de serem publicados.

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados *