Mais pontos NÃO significam mais precisão no LiDAR

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Mais pontos NÃO significam mais precisão no LiDAR

Quem trabalha com LiDAR embarcado em drones sabe que a sobreposição lateral é essencial para garantir cobertura completa da área.

Geomat — Blog
LiDAR 2025 · 8 min de leitura

Quem trabalha com LiDAR embarcado em drones sabe que a sobreposição lateral é essencial para garantir cobertura completa da área.

Mas existe um erro comum no mercado: acreditar que aumentar a sobreposição sempre melhora o resultado. Na prática, isso pode estar fazendo exatamente o contrário.

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O problema que quase ninguém percebe

Durante o planejamento de voo, a sobreposição entre faixas evita falhas na nuvem. Se for baixa demais, surgem buracos. Se for alta demais, surge outro problema:

  • Aumento massivo de pontos redundantes
  • Mistura de dados de diferentes passadas
  • Maior presença de ruído
  • Aumento do volume sem ganho real de qualidade
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Nem todo ponto tem o mesmo nível de confiança

Uma nuvem de pontos não é homogênea. Os pontos centrais das faixas tendem a apresentar maior confiabilidade, enquanto as bordas acumulam maior variabilidade por conta da sobreposição. Quando esse excesso acontece, esses dois tipos de dados passam a ser misturados. O resultado é uma nuvem mais espessa, com maior incerteza sobre onde realmente está a superfície.

Esse é o ponto que pouca gente considera. Mais pontos não significam mais precisão. Quando há excesso de sobreposição, você:

  • Amplia a incerteza do dado
  • Dificulta a definição do terreno real
  • Cria uma camada artificial de ruído
Na prática, você trabalha com mais dados, mas com menos clareza.
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O que muda quando você trata as trajetórias

Ao identificar, separar e recortar as linhas de voo, é possível manter apenas os pontos mais confiáveis, eliminar redundâncias e organizar a nuvem de forma mais consistente. Isso melhora diretamente a definição geométrica da superfície. Não se trata de reduzir dados, mas de trabalhar com dados de maior qualidade.

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Caso real com LiDAR

Em um levantamento de aproximadamente 300 hectares com o sensor DJI Zenmuse L2, foi utilizada uma sobreposição lateral de 50%, resultando em uma nuvem bruta com 631 milhões de pontos.

Após o tratamento das trajetórias:

  • Nuvem final: 235 milhões de pontos
  • Redução superior a 60%

A área permaneceu a mesma e nenhum dado essencial foi perdido. Apenas os pontos redundantes das bordas foram removidos.

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Isso não gera falhas na nuvem?

Não. Quando o voo é planejado corretamente, com sobreposição suficiente para cobertura, não há perda de dados relevantes, não surgem falhas e a integridade da nuvem é mantida. Problemas na nuvem estão relacionados ao planejamento da missão, não ao tratamento dos dados.

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O impacto real no projeto

Essa otimização impacta diretamente a operação:

  • Arquivos mais leves (ex: ~20 GB para ~6 GB)
  • Menor exigência de processamento
  • Maior velocidade nas etapas de filtragem
  • Melhor experiência para o cliente

Já houve casos em que o cliente não conseguia abrir a nuvem original. Após a otimização, o mesmo passou a ser manipulado sem dificuldades.

Apesar dos ganhos evidentes, essa prática ainda não é comum no mercado. Muitas empresas continuam processando a nuvem bruta sem qualquer tratamento, priorizando volume de dados em vez de qualidade e, como consequência, entregando arquivos pesados e difíceis de utilizar.

Enquanto isso, quem adota esse tipo de abordagem consegue entregar dados mais precisos, com maior eficiência operacional e uma experiência muito mais fluida para o cliente.

No fim, não se trata de ter mais dados, mas de trabalhar com os dados certos. Porque no LiDAR, assim como em qualquer processo de engenharia, mais pontos não significam mais precisão.

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Conclusão

Se você ainda não revisou como está lidando com a sobreposição lateral nos seus projetos, existe uma grande chance de estar processando mais dados do que o necessário, carregando ruído desnecessário e comprometendo a eficiência do seu fluxo de trabalho.

Mais do que uma decisão técnica, isso impacta diretamente o tempo de processamento, a exigência de hardware e, principalmente, a qualidade do produto entregue ao cliente. Em muitos casos, o problema não está na coleta, mas na forma como os dados são tratados após o voo.

Revisar esse processo é o que separa uma operação que apenas gera grandes volumes de informação de outra que entrega precisão, consistência e usabilidade.

No fim, o ganho não está em coletar mais dados, mas em saber exatamente quais dados manter.